Leon Kennedy e Grace Ashcroft de costas um para o outro em Resident Evil Requiem.

Resident Evil Requiem é o ápice do Survival Horror desde RE4 (sem spoilers)

Por Pedro    Última atualização: 09 de Mar, 2026

Resident Evil Requiem não chegou para ser apenas mais uma sequência na cronologia da Capcom; o título se estabelece como o sucessor técnico e narrativo que a franquia buscava desde o auge de Resident Evil 4.

 

O investimento da desenvolvedora em imersão sonora e realismo orgânico colocou o jogo em um patamar de 9.5 no Metacritic, consolidando Resident Evil Requiem como um dos favoritos de toda a série.

Close-up da personagem Grace Ashcroft em Resident Evil Requiem destacando detalhes visuais e ambientação.

Produção em escuridão total e o realismo de Grace

O terror em Resident Evil Requiem não depende apenas de scripts. Recentemente, a atriz Angela Sant’Albano, que interpreta a novata Grace Ashcroft, revelou que a Capcom gravou cenas em escuridão quase total para extrair reações genuínas do elenco. O estúdio utilizou dublês para perseguir fisicamente os atores durante a captura de movimentos, criando uma tensão que se traduz diretamente no gameplay.

 

Essa busca pelo realismo sustenta a atmosfera do jogo. Na minha experiência, este é o Resident Evil mais aterrorizante da franquia até hoje. O sistema de iluminação dinâmica, somado ao fato de que grande parte da campanha é jogada apenas com o feixe de uma lanterna, cria um ambiente hostil onde a vulnerabilidade do jogador é o foco central.

O sistema de IA da "Garota" e o retorno de Leon

O retorno de Leon S. Kennedy traz o peso narrativo necessário para a trama, mas a dinâmica com Grace é o que realmente faz a história avançar. Grace não é uma personagem passiva de escolta; ela possui um arco de desenvolvimento que justifica a exploração minuciosa do mapa e a busca por arquivos que aprofundam a lore de Resident Evil Requiem.

 

A grande ameaça do jogo, conhecida como “A Garota”, opera com uma inteligência artificial adaptativa que foge dos padrões previsíveis de vilões anteriores como o Mr. X. Ela utiliza o cenário e a ausência de luz para cercar o jogador de forma silenciosa. As sequências de perseguição exigem estratégia e um gerenciamento de recursos cirúrgico — algo essencial para quem busca dominar os desafios em dificuldades elevadas.

O inimigo Stalker de Resident Evil Requiem em close, destacando o design de terror com boca aberta e olhos assimétricos.

Fan service e a conexão com Raccoon City

Um dos pontos mais fortes de Resident Evil Requiem é como a Capcom utiliza o fan service de forma estratégica. O roteiro integra o trauma de Leon em Raccoon City diretamente na sua postura em 2026. Existem diversos documentos espalhados que funcionam como pontes diretas para os eventos de 1998 e 2004, recompensando quem acompanha a lore da franquia há anos.

 

Para quem jogou os remakes recentes, ver a evolução de Leon para o agente pragmático deste jogo é um dos pontos altos da narrativa, criando uma coesão que muitas vezes faltou em sequências numeradas anteriores.

Close do perfil de Leon S. Kennedy em Resident Evil, destacando seu olhar sério, cabelo loiro característico e a gola de pele de sua jaqueta clássica contra um fundo escuro.

Fator Replay e a longevidade da campanha

A estrutura de Resident Evil Requiem foi desenhada para incentivar múltiplas sessões de jogo. O valor de replay se manifesta na forma como os níveis de dificuldade mais elevados alteram drasticamente o posicionamento de inimigos e a escassez de itens, transformando a jornada em um teste de estratégia.

 

O jogo oferece diversos desafios internos que desbloqueiam modificadores de gameplay e armas especiais. Dominar as rotas de fuga da “Garota” e otimizar o tempo de conclusão da campanha garante que o título continue interessante mesmo após os créditos rolarem pela primeira vez.

Screencap de Resident Evil Requiem mostrando o monstro perseguidor Marie e o logotipo do jogo em cenário de horror.

Performance técnica e o veredito final

Tecnicamente, o jogo utiliza a RE Engine em seu limite máximo. A fluidez do combate foi aprimorada em relação ao remake do 4, com foco em uma física de impacto mais realista. Para um portal focado em hardware e performance como o TryHard, é notável como o título mantém a estabilidade de frames mesmo em cenas com alta densidade de partículas e efeitos volumétricos.

 

Resident Evil Requiem entrega exatamente o que o gênero Survival Horror exige: evolução técnica sem perder a essência. É um título obrigatório que respeita o legado de Leon Kennedy enquanto define o novo padrão da Capcom.